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A felicidade se compra?

  A felicidade se compra?


 
Por Débora Máximo





Parece que estamos vivendo uma adolescência coletiva e sem data para acabar. A quantia que temos na conta pode até ser diferente, mas o padrão é o mesmo: seguimos acreditando que a felicidade se compra. Trocamos o ser, a essência, o sentido, a paz, pelo ter, que é só aparência e acúmulo. E nessa busca apressada, transformamos o prazer instantâneo em uma espécie de fé moderna, com seus rituais diários de consumo e aprovação.

A verdade é que a gente se perdeu na vontade de querer sempre mais. E não é um problema querer mais isso; faz parte do nosso desejo natural de crescer e melhorar de vida. O problema é acreditar que esse "mais" é o que vai nos trazer felicidade, e esquecer de viver bem com o que já temos.

Quando a gente confunde progresso com preenchimento emocional, nada, nunca é suficiente. A busca vira um ciclo sem fim! Quanto mais a gente conquista, mais sente falta de algo. E não é coisa de rico, é um bug social que afeta todo mundo.

A lenda do rei Midas, que transformava tudo em ouro e acabou morrendo de fome, é mais atual do que nunca. Porque, no fundo, a maldição dele é a mesma que nos tem assombrado, trocar o essencial pelo brilho do supérfluo.

Olhem o que acontece no Brasil, por exemplo. Uma família de baixa renda recebe o Bolsa Família, um benefício criado para garantir o básico, tipo comida na mesa e dignidade. Mas, em muitos casos, parte desse dinheiro vai para algo que dá status por um instante, um celular novo, um item "da moda", algo que faz parecer que a vida melhorou, mesmo que o arroz e o feijão faltem depois.

E antes que alguém aponte o dedo, vale lembrar: essa lógica é a mesma em todas as classes. O executivo endividado para comprar o carro do ano  e a família que faz um empréstimo para ter uma TV maior estão presos na mesma armadilha.

O problema é que o dinheiro - não importa se é muito ou pouco - acabou virando quem manda na gente. Em vez de usar o que temos para viver com mais qualidade, passamos a viver apenas para ter mais.

Na história do rei Midas que citei é exatamente isso, o ouro pode até brilhar, mas não alimenta ninguém. Do mesmo jeito, nossa obsessão por status e prazer imediato está nos deixando cegos, tirando a clareza do que realmente importa. A promessa de que "ter mais" vai nos fazer felizes é a maior mentira coletiva do nosso tempo.

A verdadeira virada vai acontecer quando entendermos que felicidade não está no acúmulo, mas no uso consciente do que já temos. Vamos deixar de lado a impulsividade, as características de um adolescente social e começar a viver com propósito, valorizando experiências, relacionamentos e momentos que não se compram.






Reprodução

Divulgação
Débora Máximo é influencer e graduanda em Psicologia

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