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Quando até a tristeza cansa

    Quando até a tristeza cansa



Por Débora Máximo






Domingo levamos um balde de água fria. E, por alguns instantes, tudo o que muita gente queria era um abraço quentinho para confortar o coração, após a eliminação do Brasil na Copa.


Pode parecer apenas futebol, mas não era.


Era a quebra de uma expectativa compartilhada, de um momento de alegria coletiva que, diante de tudo o que temos vivido nos últimos tempos, representava muito mais do que uma vitória, representava um breve respiro para milhões de pessoas.


A verdade é que estamos emocionalmente cansados.


Todos os dias somos expostos a guerras, violência, crises econômicas, tragédias, desastres naturais e tantos outros acontecimentos difíceis. As notícias chegam sem pausa, disputando nossa atenção e despertando emoções intensas. Em meio a esse cenário, qualquer motivo de esperança ou alegria ganha um significado ainda maior.


A psicologia mostra que nossa capacidade emocional tem limites. Pesquisas indicam que a exposição contínua ao sofrimento e ao excesso de notícias negativas pode gerar desgaste emocional, aumentar a sensação de estresse e impotência e, com o tempo, fazer com que as pessoas passem a evitar esse tipo de conteúdo como uma forma de proteção.


É um mecanismo natural do cérebro.


No início, uma tragédia nos comove. Queremos ajudar, refletimos, sofremos junto. Mas, quando a dor parece constante e a impressão é de que nada muda, podemos começar a reagir de outra maneira. Frases como “o que eu posso fazer?”, “é assim mesmo” ou “fazer o quê?” passam a surgir com mais frequência.


Isso não significa que nos tornamos pessoas frias ou sem empatia. Muitas vezes, significa apenas que estamos tentando preservar nossos recursos emocionais diante de uma realidade que parece exigir de nós muito mais do que conseguimos oferecer.


O problema é quando essa proteção se transforma em indiferença. Quando deixamos de perceber a dor de quem está ao nosso lado, adiamos conversas importantes, nos afastamos das pessoas que amamos ou perdemos a capacidade de nos emocionar até com as boas notícias.


Cuidar da saúde mental não significa ignorar a realidade. Significa reconhecer que não fomos feitos para viver em estado permanente de alerta. Fazer pausas, selecionar melhor o que consumimos, reduzir o excesso de informação e cultivar relações que nos fortalecem são atitudes que ajudam a preservar nossa sensibilidade.


Porque sentir é uma das características mais bonitas da condição humana.


Talvez o maior desafio dos nossos dias não seja apenas enfrentar tantas notícias difíceis, mas continuar acreditando que vale a pena permanecer sensível em um mundo que, diariamente, parece nos convidar ao endurecimento.


No fim das contas, todos nós precisamos, de vez em quando, de um abraço quentinho. E talvez oferecer esse abraço, em palavras, em gestos ou simplesmente estando presente, seja uma das formas mais bonitas de lembrar que, apesar de tudo, ainda somos capazes de cuidar uns dos outros.


Reprodução

Divulgação
Débora Máximo é influencer e graduanda em Psicologia

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